Grupo utilizava oito carros cheios de mercadoria de qualidade abaixo da prometida, que vendiam por R$ 1,5 mil. A quadrilha da panela lotou delegacia após 20 aplicarem golpes na cidade de Campo Grande-MS



Exemplo do kit de panelas vendido como material de ultra qualidade - Foto: Marcos Maluf.

Depois de aplicarem golpes em vítimas que ainda são contabilizadas pela polícia, cerca de 20 integrantes da “Quadrilha da Panela” lotam a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro neste domingo (17). Eles já eram investigados, por vender panelas de baixa qualidade como itens alemães, vendidos em euros, alegando "precinho camarada" que chegava a R$ 1,5 mil em 12 parcelas.

Até as crianças foram parar na delegacia junto com os pais e mães. O grupo enganava as vítimas contando que iria expor os produtos em uma feira na cidade, que havia sido cancelada em razão do coronavírus. Dessa forma, os golpistas faziam convenciam as vítimas a não perderem a "oportunidade única" de adquirir produto "vendido por mais de 900 euros".


As "panelas de ouro" vendidas muito acima do preço - Foto: Marcos Maluf.

E não é só a panela que eles diziam ser estrangeira. Alguns falavam até serem “alemães”, caso de uma das mulheres que aplicava os golpes. Para levar os produtos, oito veículos eram utilizados pela quadrilha de estelionatários, inclusive, carros bem acima do preço popular, como Jeep Renegade.

Eles escolhiam as vítimas nas portas dos supermercados e conforme apurou o Campo Grande News, a polícia acredita que o grupo seja formado por ciganos. Os ciganos são originários dos povos romenos na Europa e costumam ter comportamento nômade, além de serem historicamente conhecidos como “mascates”, como eram chamados os vendedores ambulantes em épocas passadas.

Flagrante - A quadrilha foi presa em flagrante, aplicando mais um golpe nesta tarde, em supermercado da região central. A polícia acredita que eles percorreram muitos comércios na cidade. O jogo varia de 18 a 19 panelas. Todos os veículos apreendidos estavam lotados com mercadorias, incluindo uma caminhonete.


Carroceria cheia de caixas com kits de panela - Foto: Marcos Maluf.

O pagamento das panelas era dividido no cartão de crédito porque até maquininhas eles levavam de prontidão, e dividiam em “suaves” 12 parcelas, que podem variar de R$ 350 a R$ 150.

Por coincidência, uma das vítimas foi registrar boletim nesta tarde e topou com o grupo preso. Sarah Nogueira, 20, é estudante e está noiva e ontem a noite foi vítima do golpe. Uma mulher e mais três comparsas estavam em um dos veículos carregados de mercadoria.

A jovem cita uso de “boa conversa” e que a mulher até batia na panela para provar que o material era bom. O problema é que a amostra era diferente do jogo vendido. “Ela disse que tinha descendência alemã, que ia ter uma feira que foi cancelada por conta da covid-19”, contou ela.

A jovem ainda disse que para atrair ainda mais para a oferta, a mulher citou que o jogo em questão era vendido por mais de 900 euros “e afirmava que estava vendendo bem mais barato”.

Até faqueiro – Segundo a jovem, a vendedora queria que ela levasse também um faqueiro, sempre a exaltar a extrema qualidade do produto. Primeiro, ofereceu vender o jogo de pan elas em 12 vezes de R$ 280, mas acabou se contentando com parcelas de R$ 150.

A jovem foi até buscar o CNPJ da empresa que no cartão estava identificada como “Deus é fiel”, e no lugar o que apareceu foi uma empresa de transportes. “Falou que a primeira parcela era só em novembro”, contou ela. “Em 10 minutos foram embora”, disse ela que contou ter saído do mercado e já não ter encontrado mais ninguém.

No site reclame aqui, ela encontrou vítimas de todo o país relatando o mesmo golpe. Ela disse já ter acionado a administradora do cartão de crédito.



Fotos: Marcos Maluf.


Por Izabela Sanchez e Liniker Ribeiro dos parceiro CAMPO GRANDE NEWS.