Foto: Divulgação Mirante Praças, calçadas, áreas de convivência e a relação dos empreendimentos com o entorno ampliam a discussão sobre a re...

Foto: Divulgação Mirante
Praças, calçadas, áreas de convivência e a relação dos empreendimentos com o entorno ampliam a discussão sobre a responsabilidade de quem constrói nos grandes centros urbanos

Durante muito tempo a qualidade de um empreendimento imobiliário foi avaliada quase exclusivamente pelo que existia da porta para dentro. Planta, acabamento, estrutura, áreas de lazer e localização concentravam boa parte das atenções de compradores e incorporadores. A transformação das cidades e das próprias formas de viver, no entanto, ampliou essa discussão. Cada vez mais, o impacto de um edifício também passa pelo que acontece ao seu redor e pela maneira como ele se relaciona com a rua, com os pedestres, com os vizinhos e com a vida urbana.
Em cidades densamente ocupadas e verticalizadas, essa relação se torna ainda mais evidente. Um novo empreendimento modifica fluxos, aumenta a circulação de pessoas e veículos, interfere na paisagem e passa a conviver diariamente com uma população muito maior do que aquela formada apenas por seus moradores. Pensar a construção a partir dessa perspectiva significa considerar que parte da responsabilidade de um projeto começa justamente onde termina a área privada.
Essa compreensão acompanha a atuação da Mirante Incorporações em Águas Claras. Ao longo de mais de duas décadas, a empresa passou a incorporar aos projetos intervenções voltadas para o entorno, com calçadas acessíveis, espaços de convivência e áreas abertas ao uso da população. A incorporadora reúne essas iniciativas sob o conceito de gentileza urbana, expressão utilizada para definir soluções que procuram estabelecer uma relação mais cuidadosa entre os empreendimentos e a cidade.
Dois exemplos concretos estão hoje incorporados ao espaço público de Águas Claras. A Mirante construiu e posteriormente doou duas praças à cidade. Uma delas fica em frente ao Mirante Prime, nas proximidades da Estação Concessionárias do metrô. A outra foi implantada ao lado do Mirante Jequitibá. Não se tratou da revitalização de áreas existentes, mas da construção de novos espaços destinados ao uso coletivo.
Para Jamil Lessa, sócio-fundador e diretor de novos negócios da Mirante Incorporações, a discussão sobre qualidade urbana não pode ficar restrita ao interior dos empreendimentos. “Um edifício passa a fazer parte da rotina de muita gente que nunca vai morar ou trabalhar nele. Ele interfere na circulação, na paisagem, na calçada e na relação das pessoas com aquele lugar. Por isso, entendemos que a responsabilidade de quem constrói não termina no limite do terreno”, afirma.
O tema ganha importância à medida que as cidades se tornam mais densas. Em regiões verticalizadas, a qualidade dos espaços entre os edifícios influencia diretamente a experiência cotidiana. Uma calçada adequada, uma área de permanência ou uma praça podem parecer intervenções pequenas quando comparadas à escala de uma grande construção, mas assumem outra dimensão quando passam a integrar o percurso diário de moradores, trabalhadores e pedestres.
É justamente nessa escala que o conceito de gentileza urbana procura atuar. Em vez de pensar apenas no edifício como objeto isolado, a proposta considera sua inserção na quadra, sua relação com a rua e os efeitos que produz sobre o espaço compartilhado. Para a Mirante, isso envolve decisões tomadas ainda durante a concepção dos projetos, quando arquitetura, engenharia, paisagismo e urbanismo começam a definir não apenas a experiência de quem estará dentro do empreendimento, mas também a forma como ele será percebido e utilizado a partir de fora.
Jorge Lessa, sócio da Mirante Incorporações, observa que esse cuidado precisa estar presente desde as primeiras decisões de um projeto.
“É muito difícil corrigir depois aquilo que não foi pensado no início. Quando estudamos um terreno, não podemos olhar apenas para o que cabe dentro dele. Precisamos entender a rua, os acessos, a circulação e o que aquele empreendimento vai representar para o lugar onde será construído. A cidade também precisa entrar no projeto”, afirma.
Essa visão ajuda a deslocar uma discussão tradicional do setor imobiliário. O debate deixa de considerar apenas quantos metros quadrados serão construídos ou quais serviços estarão disponíveis aos futuros moradores e passa a considerar também a relação que aquele empreendimento estabelecerá com o lugar onde será implantado.
A resposta nem sempre exige grandes intervenções. Em muitos casos, está na qualidade da calçada, na acessibilidade, no paisagismo, na abertura de espaços de convivência ou na maneira como a fachada e os acessos dialogam com a rua. São escolhas que interferem na percepção de segurança, no conforto de quem caminha e na possibilidade de as pessoas ocuparem os espaços urbanos para além dos deslocamentos obrigatórios do dia a dia.
Em Águas Claras, onde a verticalização se tornou uma das características mais evidentes da paisagem, essa discussão adquire um significado particular. O crescimento da cidade mostrou que edifícios, comércio, transporte, áreas verdes e espaços de convivência precisam funcionar como partes de uma mesma dinâmica urbana. Quanto maior a densidade, maior também a necessidade de pensar o espaço coletivo que existe entre os empreendimentos.
Para Jamil Lessa, essa responsabilidade tende a ganhar ainda mais importância nos projetos imobiliários dos próximos anos.
“As pessoas não escolhem apenas um apartamento. Escolhem também a rua, o bairro, os caminhos que vão percorrer e a cidade que encontrarão quando saírem de casa. Não faz sentido pensar uma coisa separada da outra. Um bom projeto precisa respeitar essa experiência por inteiro”, diz o diretor de novos negócios.
É também por essa razão que a Mirante defende uma atuação integrada entre arquitetura, urbanismo, engenharia e paisagismo. A intenção é fazer com que os novos projetos contribuam para espaços mais acessíveis, inclusivos e capazes de favorecer a convivência, sem perder de vista as características e necessidades do lugar onde serão implantados.
A discussão sobre o futuro das cidades passa inevitavelmente pela qualidade dos edifícios que serão construídos, mas não se encerra neles. Em centros urbanos cada vez mais adensados, talvez uma das medidas de um bom empreendimento esteja justamente naquilo que ele é capaz de oferecer a quem passa por sua porta sem jamais atravessá-la.
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