Catiane Farias, esposa de Vasco Cunha Gonçalves, lança livro que relata anos de angústia até o arquivamento do processo criminal do marido, ...
Catiane Farias, esposa de Vasco Cunha Gonçalves, lança livro que relata anos de angústia até o arquivamento do processo criminal do marido, e que continuam na batalha no processo trabalhista. A obra traz revelações e personagens ligados a um dos episódios mais controversos da história recente da instituição
Muitas pessoas que acompanham os desdobramentos das investigações que ligam o BRB ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, a autoridades e agentes públicos dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário talvez não imaginem que, poucos anos antes, outro caso havia abalado as estruturas do Banco de Brasília (BRB). Em 2019, uma investigação baseada em uma falsa delação sobre supostas irregularidades envolvendo a instituição, culminou na prisão de Vasco Cunha Gonçalves, que havia presidido o banco entre 2015 e 2018. O processo criminal acabou arquivado, e a experiência vivida pela família durante os anos de investigação se transformou em uma biografia.
Escrito por Catiane Farias, esposa de Vasco há mais de 20 anos, o livro Quando roubaram nossas vidas: uma história real narra o drama familiar desde a prisão do marido até o arquivamento do processo criminal. Ao longo de 127 páginas, a autora apresenta detalhes do caso, faz revelações sobre o período, e cita personagens que, segundo ela, estiveram envolvidos nos acontecimentos e que posteriormente voltaram a aparecer em episódios relacionados ao sistema financeiro brasileiro.
“Ele estava escrito na minha cabeça há anos, mas, se eu publicasse antes, seríamos ainda mais perseguidos”, afirma Catiane. Segundo ela, mesmo sendo servidor de carreira, o marido perdeu benefícios funcionais, contribuições previdenciárias e até o plano de saúde. “Ele foi proibido de pisar em uma agência bancária do BRB, e eu passei oito anos na ‘geladeira’ do meu trabalho, sem poder tomar posse em cargos comissionados, pelo fato de ser mulher dele”, relata a escritora, que também é servidora de carreira do Governo do Distrito Federal.
O livro descreve a trajetória íntima de uma mulher que teve parte sua vida “roubada”, por ser esposa de um funcionário de carreira do BRB que presidiu a instituição entre 2015 e 2018 e, após deixar o cargo, foi convidado a comandar o Banestes, no Espírito Santo. A família se mudou para o estado em busca de uma nova fase. Apenas 15 dias depois da mudança, porém, a rotina foi interrompida por uma operação policial, justamente no primeiro dia de trabalho de Vasco no novo emprego.
Segundo o relato de Catiane, os agentes de polícia chegaram ao apartamento com um mandado de busca e apreensão e determinaram que os moradores permanecessem todos na sala, enquanto reviravam a casa em busca de algo que comprometesse seu marido. Ao final da operação, Vasco foi informado de que seria preso. A autora conta que só conseguiu dimensionar o impacto da situação ao vê-lo deixar o prédio no camburão da polícia. Foram, segundo ela, mais de 130 dias de prisão. “Eu fui para o banheiro e despenquei num choro convulsivo e solitário para que meus pais e meus filhos não vissem a minha dor”, relata.
Catiane afirma que a obra não pretende ser um livro de acusações, mas um relato sobre resiliência, especialmente a experiência de uma mulher que precisou reconstruir a própria vida em meio às adversidades. A narrativa também aborda a sororidade, os encontros entre pessoas que compartilham experiências de dor quando têm um ente querido no sistema prisional, e ainda mais sendo ele inocente. No prefácio, a obra amplia a história familiar para uma reflexão sobre solidariedade, justiça e responsabilidade coletiva.
Entre os personagens citados no livro está Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo. Delator de um desdobramento da Lava Jato, Rodrigues também apareceu nas investigações que atingiram o BRB em 2019. Na ocasião, segundo reportagens sobre a operação, sua delação foi utilizada como uma das bases da investigação que envolveu Vasco e outros dirigentes da instituição que também nada tinham realizado ilegalmente.
Anos depois, Ricardo Siqueira Rodrigues voltou ao centro das investigações. Em 2026, ele foi alvo de mandados na Operação Compliance Zero, que apura operações envolvendo o Banco Master e investimentos do Rioprevidência. Segundo a Polícia Federal e decisão do Ministro André Mendonça, Rodrigues atuava na captação de recursos para o Master e recebeu comissão de 0,6% sobre os valores captados. No caso da da família de Catiane, o delator disse anos depois que “ acho que nem sei quem é Vasco, acho que me enganei no relato”.
A história, segundo Catiane, ainda não terminou. “O processo criminal foi arquivado sem comprovação das acusações, mas meu marido foi demitido pelo banco antes da conclusão judicial”, afirma. A família ainda aguarda o desfecho de uma ação trabalhista, atualmente em fase de recurso no Tribunal Superior do Trabalho.
Atualmente, Vasco está aposentado compulsoriamente, segundo a autora, e ainda busca na Justiça a recuperação de direitos trabalhistas e previdenciários. Catiane é assistente social de carreira da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal, e voltou à universidade para cursar direito e quer seguir pela carreira penal.
Serviço
Lançamento do livro Quando roubaram nossas vidas: uma história real
Data: quinta-feira, 24 de setembro
Horário: a partir das 19h
Local: Café Angelina — CLS 409, bloco D, loja 6, Plano Piloto
Valores: R$ 25,95 (eBook) e R$ 51,90 (livro físico)
Onde comprar:
Versão Impressa:
• Amazon
• Estante Virtual
• UmLivro
• Entre outros
Versão Digital (E-book):
• Amazon Kindle
• Google Play
• Apple Books
• Kobo (Distribuída via BookWire e MetaBrasil, conforme a estratégia adotada)
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